A luz do sol pintada na tela mais velha!

Sexta-feira, Outubro 30, 2009

Mensagem curta que tento interiorizar...




MENSAGEM:

Podia agarrar silêncios, colocar-lhes asas e deixa-los voar nas sombras da demência nocturna onde os gritos possuem uma magia replecta de sonhos mas acho que prefiro respirar acordado no reflexo da noite em vão...

Dou prioridade à sede por muito que me sinta corroído pela fome! (tenho sede, acabei de jantar)
Cada passo sem rasto é um sinal da podridão que me consome, dou prioridade à sede por muito que me sinta corroído pela fome! (tenho sede, acabei de jantar)

Espero embriagar-me de tal forma que não me lembre de ter mais sede, espero comer na palma da minha mão todas as noites que estiver com sede, espero não ter que fujir mais da sorte todos os dias que estiver seco, espero chorar cedo pra mais tarde sorrir embriagado, espero sentir força pra não ficar pra sempre deitado, espero divorciar-me da dor sem ter que dividir bens, espero triturar segredos com as pontas dos dedos, espero um dia beber sonhos de tal forma que não tenha que assistir a inundações, espero que tudo se foda sem machucar corações, espero nada de que me arrependa e que toda a merda se espalhe biologicamente numa fazenda...

P.S: Hoje se fosse gaja dedicava-me ao bordado de renda!

Quinta-feira, Julho 23, 2009

Luz de meu sentir


Acaba de sair o meu 2º livro de poesia de nome "Luz de Meu Sentir" da qual aproveito para dizer que é tanto meu como teu... Basta comprares e deixa de ser meu!
Pensa nisso!
Esta é a luz de meu sentir, mas pode ser também a luz de teu sentir!
Pode ser adquirido no site WAF, no site da Corpos Editora ou numa livraria perto de si...
Boas leituras ;)

Sábado, Junho 20, 2009

Sobra doce de um lar


Sobra doce de um lar
Segredos de sombra louca
Sorrisos de suspense
Respiro boca a boca
Não assim tão forte...
Mal posso declarar esse desejo
Mal posso barrar ternura
Deixo sobrar gelo no fundo da taça
Gela o vinho de uma forma pura
Já é de madrugada!
O corpo pede algo ousado
Sobra tempo de sobra
De um doce teu gelado
Hoje começou ontem...
Não quero que acabe já amanhã
Rasgam-se tecidos em monte
Sobra mais um novelo de lã
Paira o sonho em monte
Escorro lambido de fonte
Sobra doce de um lar
Grito debaixo da ponte

Sexta-feira, Março 06, 2009

Tanto!




Vai levar tempo
Vou ser horas em segundos passados
Vai levar sonhos
Vamos dormir os dois descansados
Vai ser sempre assim
Vai haver um sonho melhor e pior
Vai existir dor
Tudo vai resistir ao nosso amor
Vai recuar o fogo
Vou passar a reparar o medo
Vai levar brilho
Vai deixar de ser segredo
Tudo vai
Tudo pisa os nossos canteiros
Tudo… e eu?
Eu continuarei atrás dos primeiros
Tantos vão
Tantos já foram
Tantos os que vamos
Tanto que fomos

Segunda-feira, Fevereiro 02, 2009

Confissão perpetua


Tenho sempre um cigarro aceso
Um copo de vinho na mesa
Uma mulher num canto
De lado uma vela acesa
Tenho sempre uma dor
Um retrato do infinito
Uma palavra de amor
Um poema mal escrito
Tenho sempre um isqueiro na algibeira
Uma lata de conserva em mente
Fome de alguém no momento
Água pra beber numa ribeira
Tenho sempre uma melodia no ouvido
Um susto pra me agoniar
Um nervoso miudinho no corpo
Vontade de te amar
Tenho sempre…
Sede se não tiver bebida
Fome se não tiver comida
Sempre algo pra tapar minha ferida
Só não tenho é sempre…
Saída!

Sábado, Janeiro 10, 2009

Eu reparei...



A janela estava só encostada
Eu reparei nisso
A porta rangia quando entravas
O coração batia forte só de subir as escadas
Perguntava o repouso:
-Posso descansar?
Na vitrina brilhava o desejo
Na sombra te roubei um beijo
Dormias como criança
Eu reparei nisso
Teus olhos se escondiam da verdade
Teu mundo era exemplo de saudade
No armário permanecia a dor
Na prateleira pequenos esquissos de encanto
Pedras soltas rebolavam no momento
Penas soltas voavam ao sabor do vento
Como um anjo
Como um verdadeiro anjo iluminado
Eu reparei nisso
Toquei-te no rosto brilhante
Afastei-me e voei de forma distante
Mas eu reparei
Eu reparei nisso
Quanto mais voava
Mais sentia o teu feitiço
Mas eu reparei
Eu reparei em como havia doce
Escorria dos meus olhos
Rosto a baixo como se nada fosse

Segunda-feira, Janeiro 05, 2009

O despertador da madrugada




De olhos fechados numa inconsciência estranha mas saborosa esbarrei numa casca de amêndoa torrada barrada a manteiga de amendoim escorrendo num canto de uma boca em fio de sangue pisado…
Era Verão!
O vento soprava de leste tocando suave nos meus sapatos de cetim, sola baixa, sol alto queimando forte, tornando o suor puro, latejando rosto a baixo…
Não existiam sombras nem formas tostadas em um único circuito!
Girava uma escova raiada em lisos cabelos mel guardados por perto de 30 anos numa gaveta de rascunhos e historias…
Era tempo de férias!
Cada lágrima escorria sólida quebrando silêncios emocionais na pista desenhada em papel de fundo branco como parede que pintas a óleo um só retrato…
Através do despiste psicológico, a intervenção sentimental surgiu em plano secundário quebrando passos na física que transformara a química num momento único de um luar cansado de tanto céu envolvente…
Tive que me levantar!!!
Já era manhã…
Mais uma sensação abominável a servir de escravo ao meu sossego e descanso!
Bom dia, é só uma falsa expressão que caiu no goto de ser bem falada por ser uma frase bem decorada em toda a consciência pesada até ficar tarde…
Boa noite, soa a brilho e silêncio merecido numa só nota musical deixada num momento anterior adivinhando que amanhã será outro dia…
Que assim seja, será sempre merecido!
Assim me convido, assim te convido…

Sexta-feira, Janeiro 02, 2009

E eu existo?







Existe um mundo meu fantasma
Tão teu lá fora
Tão livre como nós no tempo
Tão meu cá dentro
Existe um sol só pra nós
Uma luz só pra ti
Uma sombra minha e tua
Para nós a mesma lua
Existe um banho d´alma no céu
Um fogo que é teu
Um choro que é meu
Um segredo que é nosso
Existe uma palavra pra te descrever
Tão forte quanto tu
Tão simples quanto eu
Tão linda como tu
...
Existe um castelo que te pertence
O céu é teu num só voo
A liberdade é só tua
Em nós o brilho da lua
Existe um mundo
Existe um sol
Existe a lua
Existes tu!

Terça-feira, Dezembro 23, 2008

Ela...



Era ela
Caminhava em círculos no infinito
Guardava sorrisos na algibeira
Era ela
Falava só pela manhã
Fugia do sol como da chuva
Era ela
Largava segredos num só grito
Tocava tuba na ribeira
Era ela
Mordia sonhos como maçãs
Descascava sementes num só monte
Era ela
Lançou sempre a razão para longe
A certeza sempre incerta
Era ela
Cuidava-se ao espelhar da água da fonte
Reluzia como estrela em noite escura
Era ela
Ficava sentada na berma cantando
Dançava em rodopio sempre alerta
Era ela
A lua que luzia sob meu espanto
O raio que aos meus olhos era meu encanto
Era ela
Ela
A flor mais bela
Era ela

(tu)

Passou-se...



Sabemos certo que ambos somos errados
Perdemos tectos que se movem por todo o lado
Sorrimos lágrimas onde o sol secou a fonte
Choramos mágoas em descanso debaixo da ponte
Sabemos nada sobre o vento que passa
Olhamos a estrada e corremos sem que nada se faça
Pedimos sombra porque a noite queima a dor
Cansamos medos em jóias sem valor
Contamos medos em sussurros violentos
Corremos enredos nas somas dos sonetos
A verdade é louca no tropeço da saudade
A sorte é pouca a viver de ansiedade
Somos encaixe de curvas em resposta à nossa vontade
Somos frescura em tempo seco numa só cara metade

Segunda-feira, Dezembro 22, 2008

Era... Um sonho!




Eras tu que acreditavas que me vias
Poderia eu ter as asas do diabo?
Eu que não acreditava no que estava a ver
Sei que era eu que não te podia esquecer
Era eu a querer me lembrar sempre de ti
Eu a sentir-me indefeso nos teus braços
Era como um céu que te abraçava
Era como uma corda que nos entrelaçava
Era o sonho que juntava nossas mãos
Unia os dedos entrelaçados numa só sombra
A lágrima que escorria no rosto era emoção
Os olhares que se cruzavam era paixão
Existia o abraço de olhos cerrados
Sentia-se o primeiro arrepio de dois corpos colados
A verdade era sussurrada pelo momento
O acto era movido pelo sentimento
Dois lábios tocavam-se timidamente
Era o beijo que se desfalecia em ternura
Eram dedos que deslizavam no rosto em forma de abraço
Eram sensações harmoniosas num só laço
O silêncio fazia-se sentir em gestos de carinho
Os corações batiam forte num só caminho
Era o segredo que subia átona de água
Foi o sonho que por momentos afogou a mágoa

Quinta-feira, Dezembro 04, 2008

Remedio SENTIR!



Solta-te e faz do tempo a promessa
Os segundos são horas passadas
Os risos são reparos da natureza
Os suspiros são almas pesadas
As regras são motivos de dança
O sol se esconde para te ver passar
Caem lágrimas em forma de esquiços
Sopram ventos em teu amar
Grita e sobram dedilhados de ternura
Amor que separa o medo na escolha
Grutas que escondem clareiras endiabradas
Gotas que deslizam folha a folha
O remédio está no beijo sagrado
Ao toque efémero da loucura
Unem-se formas de toques profundos
Trocam-se sonhos de forma pura
No tempo que correm vozes sentidas
Escutam-se momentos sóbrios de loucura
Desabafam-se verdadeiras obras de arte
Descolam-se palavras de ternura
A mão estende-se em teu redor
O frio espalha-se no espaço cru de cada mente
Arrepiam-se corpos em artes contemporâneas
Beijos soltos ao sabor da corrente
Apetecia-me ser eu a provar maravilhas
És tu que me sopras pra longe
Sou eu que fujo pra perto
Somos trajes da vida ao descoberto
Somos quem sente e quem sente está certo!

Quinta-feira, Novembro 27, 2008

O que sei é que nada ou pouco sei... Imagino!



Sei que pensas de mim estranhamente
Sei que voas pra longe na historia
Pensei que sobrasse linha na semente
Achei que tua língua sopra gloria
Eu sei que nuvens tapam brilhos meus
Eu sei que nuvens crescem em teu olhar
Pensei que fossem sonhos meus
Achei que minha luz me fez calar
Eu sei que na terra sou ausente
Eu sei que na lua estou distante
Pensei que era bom lentamente
Achei tua voz apaixonante
Eu sei que sou fraco na razão
Eu sei que tremo no momento
Pensei que havia lugar no coração
Achei que havia sentimento
Eu sei que na verdade seremos mar
Eu sei que no medo reagimos tarde
Pensei que no espaço íamos navegar
Achei a labareda que em mim arde
Eu sei que na vida somos escravos
Eu sei que na rua somos tantos
Pensei que na rama floriam cravos
Achei que mundos fossem espantos
Eu sei o que pensas do que achei
Eu sei que pensei do que não sei
Pensei do que eu sei
Eu sei que nada sei


Só sei que em ruas estreitas podemos não passar lado a lado mas sei que vamos juntos…
Posso chamar de ruas às nossas vidas? Adoro o cheiro da liberdade...

Quinta-feira, Novembro 20, 2008

Espera no espaço



Surpreso
Envolto de sede de ti
Chegaste
Sonho que pedi
A tua pele
O teu rosto luzia mar
O teu cheiro
A tua pessoa no meu respirar
O teu olhar
A minha sede de ti
A tua voz
O arrepio que senti
Eras tu
Antes foi alucinação
Dona de mim
Dona do meu coração
Luz
Meu abrigo na solidão
Rosa
Flor de minha paixão
Não era sonho
Já não era segredo de meu ser
Não era choro
Foi vontade de mais te ter
No mesmo abraço
Uma recordação de perfume e saudade
Ficarei sempre grato
De sonho passar a realidade
Passou...
Num só luar desfrutava-se passo a passo
O beijo
A união no mesmo laço


Feliz, partilho contigo o mesmo espaço onde na noite o céu e a lua (por entre estrelas cadentes) fazem de nós o mesmo esboço com um só traço…

Domingo, Novembro 02, 2008

Para sempre de forma diferente...



Uma nuvem pairava sobre mim
Eu estava incrédulo olhando tua sombra
Não reparei que era Outono
Só sei que pestanejava na despedida
Derramava uma lágrima de agradecimento
Um obrigado por existires
Uma duvida se haveria mais presente entre nós
Era uma imagem imaginaria
Uma recordação minha e tua
Adormeci enxaguado em memorias
Pequenas memorias de uma historia
Permanecia no incógnito a sua continuação
O seu final…
Acordei com a sensação de pesadelo
De um sonho na recta final
Era mar dia inteiro
Era tempestade a cada segundo
Sentia em mente todos os trovões em noite escura
Sentia no peito o rasgão de um todo tecido mole
Não havia mais sonho
Não podia esperar mais historia
Tudo começou na queda da primeira pétala
No murchar de uma só rosa
A tua ausência em mim era dor
A tua presença era fogo
Hoje serás uma só lembrança
Eu serei eterno de mim mesmo
Tu serás eterna também de ti
De alguém…
De ninguém…
Seremos para sempre o que fomos
Viveremos para sempre o que já não somos.

Quinta-feira, Setembro 11, 2008

Psicanálise parte II



Tremo (continuo)

De sensação estranha
Não me escuto…
Sonho-te!
(Digo)
Tu sabes que não és indiferente…
Tu sabes que nunca foste indiferente!
Eu sei que nada sei (de repente)…
Mas mexe…
Não sei porquê nem o quê!?
Mas sinto…
Só que não se vê!
Mas sem nunca ter tido intenção…
Tem um sabor tão desagradável!
Parece relacionar-se muito bem com a tristeza…
Confesso que nunca soube sorrir…
Não é bonito…
Sente-se!
Afinal o que se passa?
Eu não deveria estar a cantar fado?
Seguir um ritmo passo a passo?
Posso nunca encontrar estas respostas…
Tenho vertigens!
Não quero sonhar alto!
Já nem aprendo o básico…
Sinal?
Não aprendo o natural…
Vendo palavras que nunca comprei…
Grito por quem nunca gritei!
Separo-me de quem sempre me separei…
Resumo fins sobre:
Amei ou não amei?
Ainda…
Nunca…
Não sei!
É que não sei!
Mesmo…

Domingo, Julho 06, 2008

Hoje não...



Treme o torpeço (que me avassala o interior)

Geme o sentimento (numa réstia de calor)

Entro num cubo (de gelo fervido)

Escuto e leio (mensagens de perigo)

Ontem não conseguia respirar!

Hoje não consigo gritar!

Amanhã quero vaguear (numa rua qualquer)

Quero cheirar (perfume de mulher)

Suspira um desejo (em meu corpo a cima)

Revela-se forte (uma ausência em rima)

Adoro sentir-me (uma nuvem carregada)

Chorar sozinho (sem ter de contar nada)

Um dia vou querer (ser uma satisfação)

Vou querer (pedir de mim uma continuação)

Espero escutar (o sol de inverno)

Brilhar como a lua (em quarto crescente)

Sentir-me perto (de quem está ausente)

Saber decifrar (o que me vai no coração)

Voltar a trás (para pedir-me perdão)

Hoje não...

(Hoje não...)

Hoje não...

Terça-feira, Março 18, 2008

Hoje sou... Amanhã nada!


Numa introdução, parece macia a sombra!
Na curva desliza uma poeira sóbria...
Será retrato?
Será mato?
Não vejo...

Espera!
Deixa-me passar contigo!
Posso?
Deixo o abrigo,
Deixo cada curva como se fosse recta,
Agarro-me à sombra em fim de tarde...
Luz que queima,
Sombra que arde!
Crávo na pele teu sorriso,
Choro sementes de alívio,
Tropeço na dor que piso...
Hoje estou sóbrio!
Estou sem cor...
Tiro o chapéu na tua presença,
Faço uma vénia,
Sou pastor...
Dou um passo sem direcção,
Deixo para trás uma só pégada!
Hoje sou monte...
Ontem fui vale...
Amanhã sou nada!
Sou nuvem delineada,
Sou chuveiro de sol,
Sou o olhar que divide o tempo do espaço,
Sou lágrima seca a derramar...
Sou esboço de terra e ar!
Hoje sou...
Amanhã nada!
Sou mão fechada,
Cerrada ao silêncio...
Hoje sou...
Livre!
Amanhã...
Nada!
Hoje serei doce,
Amanhã espada!
Sou mais fraco,
Mais humano...
Sou chuva e trovoada...
Sou a certeza perdida,
A luz cansada,
O levantar de um só desejo,
A procura de um só beijo...
Hoje sou...
Amanhã nada!
A fonte que carrega a mágua!
Sim...
Habituado!
Não adianta esconder,
Não adianta fingir...
Sou como tenho que ser,
Sempre fui como deixei sentir!
Ao relento...
Muitas vezes penso:
-Devo deixar sentir tanto?
Esqueço...
Logo me levanto...
Tantas vezes que não...
Fico transparente...
Só por vezes!
Sei que não sou diferente!
Suspiro...
Não tenho outro remédio!
Não tenho outra guarda...
Hoje sou...
Amanhã...
Nada!
Amanhã nada!
Amanhã nada!
Sempre nada!
Sou...

Quarta-feira, Dezembro 05, 2007

Pois... Não sei...



Hoje sou terra em mão de semear...

Amanhã serei fogo em época de colher segredos...

Que raio sou?!

Fonte sem luz pra te receber...

Perguntas que deixo por fazer...

Deixo-te fazer...

Sou façil de estar...

Dificil de perceber...

Ou talvez o contrario...

Apetece-me ser uma aragem suáve em dias agitados...

Por vezes(muitas vezes) sou torrão de cal em parede escura...

Por vezes(poucas vezes) sou doce de amendoa amarga...

Se sou mais?

Se sou menos?

Não sei... Talvez seja mais ou menos...

Deixo sempre me questionarem sobre assuntos inteligentes...

Por vezes não sei responder...

Todas as vezes...

Podes!

Pois eu sou como me descobrires...

Não me interessa ser quem não sou...

Não me importo de ser quem pensas que sou...

Como disse:

Sou terra, que me pisam...

Ar, que me respiram...

Fogo, que me queimam...

Chuva, que me molham...

Vento, que me sopram pra longe...

Luz, que me encandeiam...

Raio, que me partem o coração...

Força, que me empurram...

Mar, que navegam...

Céu, que tento voar...

Se sou, ou não?!

Cava um buraco e procura nele uma lágrima de mim...

Sou o sorriso no deserto...

A descoberta que procuras não encontrar...

A sombra que te podes abrigar...

Eu deixo...

Sou de tão longe e tás tão perto...

Continua...

Faz isso!

Quarta-feira, Novembro 21, 2007

Ontem vs hoje...

vs




Nadei por entre uns sombreados azuis em ruinas

Escapei da derrocada da noite entre brisas de mar

Encontrei-me ofegante ao brilho lunar

Reparei que estava longe de me encontrar

Tudo ontem!

Hoje...

Hoje tenho medo de falar...

Hoje tenho medo de escrever...

Pedi licensa a mim mesmo para acordar

Perdi vontade de sonhar...

Apeteçe-me sentir o abraço...

Não me apeteçe abraçar!

Apeteçe-me revirar a dor do avesso

Forrar o meu olhar a gesso...

Ontem cantei de brasa na lingua em fervor

Como agulha na boca queimando laços

Labareda em mente consoante os passos

Quente...

Deslizando em traços...

Fui desenho na madrugada

Apaixonado pela manhã...

Isto ontem!

Tudo ontem!

Hoje sou pouco nada

Novelo de lã amarrotada

Segredo revelado ao mundo

Dor no peito que me atinge fundo...

Ontem...

Vesti de negro o sorriso,

Desnudei as silabas labiais...

Ontem gritei sem aviso...

Hoje já chega porque ontem foi demais...

Quinta-feira, Julho 19, 2007

Um sentimento sem tempo...




A hora esqueceu-se de me lembrar
Que a razão era a defesa da minha dor
A sombra fez de conta que me assustou
A luz levou para trás o meu amor
Agora fiquei a folga da razão num sentido único
Lembrei-me de um sonho onde voei em varias direcções
Regurgitei o tempo que me separou da água
Descolei sílabas de dor em canções
Amanhã irei estar à espera numa qualquer porta
Irei aguardar por um qualquer sorriso
Serei uma fonte para dar de beber
Serei uma cor num sinal de aviso
Nada irá justificar a nossa ausência
Nenhuma mágoa será mais do que uma dor
Não há medo que viva em permanência
Não há sentimento mais forte do que o amor…

Quinta-feira, Maio 24, 2007

Banho de petalas escalfadas...


Banho-me ao som de efémeros sentidos
Ao toque de um só cheiro a sabão
Ao de leve…
Lavo o cabelo do suor da noite
Lavo a mente das quedas infernais
Chegou a hora…
Lá vem o dia…
As sombras que me perseguem caem no asfalto
Os ossos que me seguram quebram barreiras
A tua ausência dá-me calafrios
Escondo-me por entre lágrimas destemidas
Desvio o olhar pra espreitar quem espezinho
Deixo a pele secar ao vento…
Ofegar ao relento…
Deixo poças de lama no fundo
Sinto a areia movediça esbarrar por entre os dedos
Uma lavagem desértica de afrontes
Perco cabelos na esfrega da madrugada
Deixo de te ouvir cantar
Crescem-me asas com formatos de rosas
Penas aguçadas em brilho de pétalas
Não consigo respirar…
Bafeja-me vapores óxidos no sistema!
Voaremos juntos para outro caldeirão
Num só banho lambido de amor…

Sexta-feira, Maio 04, 2007

Hoje é feriado no amor!



Flores…
Quanto mais tu quiseres menos eu te dou!
Agora espero a tua dor...
Agora fico sem espelho pra te decorar...
Espero o teu cansaço na minha escolha,
Aguardo a tua mente no meu olhar,
Grito-te sorrisos na fonte...
Escorre água do sobrolho,
Suor nas esquinas,
Sombras nos cantos requintados da tua mente...
Chega uma réstia de sol pra te assombrar...
Um caminho pra descobrir...
Acendo mais um cigarro no escuro,
Ilumino-te o sofrimento,
Acolhes-me no pensamento...
Hoje é feriado no amor!
Todos os dias sem rastreios...
Lado a lado na escolha soberba da ganância,
Finges-te perdida no sonho!
Engano-me num único sorriso...
Fujo do teu sentido sem dar asas ao passado,
Agarro-me ao pedido de um perigo disfarçado...
Ontem pisaste-me o calcanhar da sorte,
Hoje feriste-me o olhar,
Amanhã sangro de paixão...
Afinal quais são as intenções?
Mas qual o teu significado de ser?!
Partes sem quebrar o momento...
Escondes-me sem olhar a sentimentos...
Reconheces canções de embalar no berço esquecido...
Dizes-te feliz?!
E a mim não me convidas?
Abraças frio e vento...
Sussurros no ouvido...
Estou só aqui sem saber...
O que fazes a meu lado?
Não te percebo…
O que te escorre idiota?
Não espero perceber ideias sem medos!
Pois já chega de ilusões no espaço vazio que me encontro!
Já chega de constrangimentos!
Não te quero ouvir dizer que sou desfalcado nos meus pensamentos!
Bato-te se tiver de ser!
Carinhosamente és chicoteada de beijos pintados a azul...
Hoje é o teu dia de sorte!
Cavalgo no teu sentido...
Hoje é feriado no amor!
Hoje tenho razões de sobra pra me defender do teu poder...
A sedução é a minha dor...
Todos os cuidados são meus,
Todas as esporas que te ferem são minhas!
Equilibro-me na tua esfera...
Todo o silêncio é teu!
Toda a força é interior!
Rasgo-te a pele que vestes contra o frio,
Gelo-te os mamilos em confissões,
Agarro-te sem sede de fome...
Huuummmmm...
Hoje é feriado no amor!
Hoje sou só eu!
Tu folgas-me a presença esquecida...
E eu…
E eu não respondo por mim!
Hoje os saltos e empurrões são frutos da sorte!
Apalpo eu o caminho até te chegar perto...
Hoje ficas tu presa ao momento!
Amanhã acaba-se a folga que preenche o dia,
A noite não passa de uma sombra lunar,
O grisalho da tarde corta-me a voz,
A madrugada devolve-me a harmonia...
Bons sonhos…
Hoje é feriado no amor!

Segunda-feira, Abril 16, 2007

Escuro! (uma falha de luz)



Está escuro aqui
Não encontro o sorriso
A sombra foge de mim
Na cor fica o aviso
Perde-se o sol na rua
O medo no tempo que aguardo
A esperança permanece nua
É só mais um carregar de um fardo
A escuridão envolve-me de pensamentos
Grita silênciosamente no espaço
Apaga várias dores de tormentos
Nada retira as asneiras que faço
Está escuro aqui
Muito escuro aqui
Muito escuro de futuro
Serve-se escuro a mim
Serve-se frio mas puro
Chove trovões de aço
Relâmpagos de brilho
No escuro nada faço
No clarão traço um trilho
Fica a luz de uma só vela
Fico eu no manto adormecido
Amanhã nasce o sol nesta tela
Hoje adormeço esquecido...

Quarta-feira, Março 21, 2007

Não se via, tudo o que havia...



Testo o meu olhar em teu ser
Fixo abundantemente o teu
Paramos no tempo a correr
Paramos num sonho só meu
Seguimos os sentidos em vão
Os passos em discórdia absoluta
Os sonhos no coração
As vozes que se escuta
Somos um musical sem som
Uma peça teatral em repouso
Somos por segundos um dom
Pisados num só olhar fogoso
Avistamos o fim da rua
Calçada de tormentos
Iluminados pela luz da lua
Presos por filamentos
De joelhos imploro-te ar quente
Sentas-te em brasa fria
Um calor que bem se sente
Um desejo que em nós sorria...

Segunda-feira, Fevereiro 26, 2007

Um encontro de respirações



Enquanto respiro a dor
Travo-te a meu colo
Despidos de anseio
Envoltos de recheio
Respira-se fundo
Torcemos nossos corpos
Enxaguamos nossas mentes
Esprememo-nos inconscientes
Continuamos nossa dança
Madrugamos no mesmo laço
Bem colados ao chão
Num só coração
Inspiramos...
Expiramos em sintonia
Rebolamos no mesmo espaço
Envoltos no mesmo abraço
Enquanto suspiro de prazer
Relaxas em meus ombros
Fechamos os olhos no infinito do momento
Colamos os rostos corados no sentimento
Chegámos ao fim
O fim da nossa viagem
Assim vamos adormecer
Desfrutar do que foi um prazer...

Domingo, Janeiro 28, 2007

Demais...



Num restauro de emoções
Proclamo a dor do momento
Respiro o sentimento
Deliro ao movimento
Entro e saio por portas descaídas
Sopro emoções do acaso
Abro e fecho recordações vividas
Divorcio-me...
Namoro...
Acabo e caso
Caso em casa sem caso de um acaso
Voo e aterro numa só respiração
Calo a vida de uma flor em vaso
Brilho sem luz na voz do coração
O meu ser exalta-se no espaço
A minha dor reflecte-se no olhar
A minha voz cala-se em tudo o que faço
O meu mundo parece não rodar
Não toa em mim o segredo
Não nutre em mim o desejo
Não esqueço por ti o medo
Não espero de ti o beijo
Acordo sem sonhar demais
Adormeço a pensar demais
Parto a viver demais
Regresso cedo demais
Espero demais
Doi demais
É demais
Doi demais
Demais
Sempre demais
Demais
Demais
...

Quarta-feira, Janeiro 17, 2007

Há já algum tempo...



Há já algum tempo que respiro
Inspiro e expiro
Choro e riu
Tenho calor e frio
Há já algum tempo que não sinto a minha falta
Que não estou em alta...
Levanto-me e tropeço
Peço mas não confesso
Há já algum tempo que sinto o vazio
Não sinto o arrepio
Perdi a pronuncia no olhar
Perdi o brilho de amar
Há já algum tempo que tento não chorar
Dar um passo para andar
Recuar sem dor
Suspirar de amor
Há já algum tempo que ando por aí...
Penso muito em mim
Não chego a uma conclusão
Doi-me o coração
Há já algum tempo que a sorte não me visita
Minha voz não grita
Minha mente se evaporou
Minha alma cansou
Há já algum tempo que não sei nada
Contos de fada
Canções de embalar
Sussurros para o ar
Há já algum tempo que tento viver
Que me sinto a arder
Me sinto a envelhecer
Mesmo a apodrecer
Há já algum tempo que não brinco
Só estilhaço
Não sinto
Só trinco
Há já algum tempo...
Há já muito tempo...
Estou proibido de sonhar
Estou preso ao meu olhar
Há já algum tempo...

É já muito tempo!

Segunda-feira, Janeiro 08, 2007

Flor negra...



Este é o meu jardim
Após longa ausência
Em tempo esquecido de mim
Regresso de permanência
Em sonhos de algodão
Cobertos de rugas
Arranhões de raspão
Homens em fuga
Mulheres de capa branca
Seres chegados da lua
Rasgos em mente fraca
Poder em terra nua
Este é o meu jardim
O meu canto por vezes esquecido
O meu pedaço de mim
O meu sonho perdido
Aqui escrevo e te leio
Aqui choro no teu olhar
Aqui consigo ser ainda mais feio
Mas aqui aprendo a amar
Travo a fundo por momentos
Planto a flor negra que há em mim
Crescem no meu olhar rebentos
São rosas e jasmim
No escuro me alimento
Fortaleço as raízes na escrita
De vontades abano ao vento
Aqui te espero na minha guarita

(Este é o meu jardim onde a flor negra cresce dentro de mim...)

Segunda-feira, Dezembro 04, 2006

(RE)VISÃO



Entre margens rasuradas por mentes obscenas
Navego em mares de luz ofusca
Esculpo corpos em pedras rugosas
Pinto suores em lágrimas numa força brusca
Respiro sem medo do teu principio
Voo sem pudores de criança
Recomeço na tua dança de inicio
Deito pesos e formas na balança
Festejo o regresso da dor em bolo de lágrimas
Despeço-me da noite cinzenta apagado
Reviro os olhos para não ter de te ver
Dispo-me para não ficar frio e magoado
Vou devagar no tempo que corre
Sinto-me preso ao desabafo interior
Chego à pressa da dor que morre
Volto costas a tudo o que foi amor
Grito...
Choro...
E falo até te ver nascer
Penso no sentido inverso da questão
Resguardo na memoria o querer
Vejo a vontade da saudade caída no chão
Invisto na tua sorte esquecida
Olho-te na profundidade do além
Deito sonhos que me dão voltas à barriga
Percorro trilhos que investem em alguém
Apreço-me a chegar tarde
Aguento-me à loucura
Deito lenha no forno que arde
Deito fora remédio que cura

Segunda-feira, Novembro 27, 2006

Desabafo num beijo uma esperança de vida...



Insisto
Não existo
E imploro razões de vida
Corro
Paro
E ando cansado
Grito
Sussurro
E falo de sonhos
Fujo
Escondo
E espreito emoções
Rastejo
Rebolo
E arrasto-me em pesadelos
Pergunto
Respondo
E invento brilhos de personalidade
Tapo
Visto
E dispo-me de sentimentos
Amo
Odeio
E fico indiferente ao que falam e pensam de mim
Inspiro
Expiro
E respiro para quem não sente
Toco
Mexo
E paro de olhar para ti
Leio
Releio
E volto a reler o que não parece ter fim
Compro
Vendo
E ofereço-te o meu coração
Olho
Vejo
E observo a saudade no tempo
Vou
Volto
E chego sem conclusões de amor
Parto
Quebro
E regresso ferido no meu interior
Reparo
Deixo para tráz
E finalizo com um beijo

(*MUAH*)

Segunda-feira, Novembro 20, 2006

Flor de minha planta



Gravo na minha memória
Tuas pétalas suaves
Teu néctar que me alimenta
Teu toque que me fermenta
Respiro do cheiro
Respiro da dor
Canso-me de te perder
Sonho de ti beber
Retiro de mim o desejo
Devolvo-te a vontade
Enquadra-se no sentimento
Um rascunho do momento
Com o meu olhar te percorro
Com os meus lábios te beijo
Imagino-te em meu redor
Juntos numa noite de calor
Flor do meu desejo
Pétala que me encanta
Perfume que me tira o beijo
Flor de minha planta
Flor de minha planta
Flor de minha planta...

Domingo, Novembro 12, 2006

Dança Grega



Finges-te minha presa
No rescaldo da noite esquecida
Perdida em lages de corpos
Perdida no seio da vida
Exibes a dança do incógnito
Forneces o alimento do meu saciar
Repetes sons em linha
Foges de mim em alto mar
Decoro-te a frutos silvestres
Saboreio-te o ventre destemido
Trinco-te a dor que tentas despir
Despertas em mim um só sentido
Recuas e avanças a cada investida
Despes-te e danças sons inebriantes
Persegues olhares possuídos em mente
Agarras almas e sonhos de amantes
Trocas o passo no momento
Controlas o ritmo de forma suave
Apoias-te em ombros num abraço
Voas comigo como se fossemos uma única ave
De forma ofegante sentimos o embale
Sem asas num voo chegamos à lua
De olhos postos fazemos o rescaldo
Daquela que foi uma vontade minha e tua

Domingo, Novembro 05, 2006

Tu e eu sem mim...



Guardo na gaveta razões de dor
Ossos quebrados por pancadas de amor
Gritos esquecidos de uma Deusa perdida
Rastos de sangue de uma vida sofrida
Olhares incolores sob um céu estrelado
Toques de dor de um sonho cansado
Partes de mulher estendidas sem fim
Ondas de mar que rebentam em mim
Arranhões de esgrima repentina
Lutas carinhosas numa mina em ruína
Fortes desejos da cuja vontade
Paga-se bem caro o preço da verdade
Elevam-se medos sem medo de ti
Correm medos com medo de mim
Perdem-se águas em corpo escorrido
Afogam-se máguas em tempo perdido
E brilha no momento toda uma desilusão
Que cansou no tempo o meu coração
Apago a luz pra deixar de te ver
E deixo-te conduzir a razão de viver
Tiro de mim para ti sem a mim me teres
Meto o que há de mim em ti sempre que quiseres
Fujo do sol que me queima a pele doirada
Ofereço-te o mundo, o céu, a estrada...
Voo-o livre de sentimentos usados
Permaneço livre para sonhos ousados
Deixo-te livre de actos cansados
Ficas livre de amores mal amados
Deixo-te só no meio da tua multidão
Fico só com o meu coração

Segunda-feira, Outubro 30, 2006

A chuva que só eu senti, molhou-nos aos dois...



Uma mão enroscada em corpo nu
A minha que te percorre os sentidos
Um acto de desejo e amor cru
Uma chuva de sentimentos esquecidos
Um rolo que me amassa no tempo
Uma voz que nos separa das cores
Um sopro que se transforma em vento
Um rosnar que nos alivia as dores
Em alta velocidade te escuto
Em alta velocidade te peço
Sem pressa por mim luto
Há pressa... por ti esqueço
Há sombra... proclamo a dor
Ao frio respiro de ti
Em sonhos fazemos amor
Há chuva... que só eu senti
Aos pingos... que sou eu sem ti
Envolto de águas bravas
Em buracos que só eu caí
Que para me agarrar não estavas
E esqueço os momentos que nunca houve
Perdoo-me por isso a toda a hora
Um coração que nunca soube
Despedir-se antes de ir embora
Navego entre folhagens de um sorriso
Que me lanças no desejo
São só vontades que não passam de um aviso
Deixo-te um beijo
Nada mais posso querer
Nada mais merecemos
Nada que em mim possas ver
Um amor que não conhecemos

Terça-feira, Outubro 24, 2006

Passo...



Começo do inicio
Leio só o fim
Uma questão de principio
Um hábito que habita em mim
Livro-me da razão
Entro fora de contexto
Respiro em vão
Como forma de pretexto
Abrigo-me em latas de conserva
Flutuo na terra que me ignora
Desfaço-me num brilho que me enerva
Dispo-me e saio porta fora
Espero pela noite que me envergonha
Pelo risco que me espanta
Pelo momento em que se sonha
Pelo medo que se levanta
Aparo silêncios repartidos
Entre estilhaços de sons ofuscantes
Luzes em toques perdidos
Amores em danças distantes
Vivo em frutos de sangue queimado
Percorro veias de suor com calma
Sinto-me preso a algo estragado
Sinto a falha de travões na alma
Quero parar e não consigo sair
Quero fujir e não consigo ficar parado
Quero entreter-me mais a dormir
Quero acordar sem estar deitado
Não consigo explodir mesmo tirando-me a cavilha
Corro de joelhos ao teu abraço
Sangro do corte de luz em matilha
Uivo canticos sem saber o que faço
Devolvo a ti o meu abraço
Canso em mim o próximo passo
Apresento a ti a escolha que faço
Devolvo a ti o meu abraço
Só mais um passo
Nunca farei aquilo que faço
Envolvo-te no meu laço
Reservo caminhos que traço
Abraço...
Devolvo a ti o meu abraço
Passo...

Quinta-feira, Outubro 12, 2006

Serão... Pontos de interrogação (???)



Será?
Será que as árvores que acolhem os passaros me abrigam dos medos de poiso que em mim reinam?
Será?
Será que os sons que me envolvem dançam comigo em tempo incerto?
Será?
Será que um dia eu estarei certo na razão do oposto?
Será?
Será que posso olhar o céu sem correr riscos e sombras de cor?
Será?
Será que os ventos sopram mais forte se eu remar contra marés?
Será?
Será que o sol brilha se eu gritar por ti no infinito da recordação?
Será?
Será que a roupa que visto me despe por dentro e torna tudo a olho nu?
Será?
Será que os olhos que vejo brilham por sonhos perdidos?
Será?
Será que quando te visito me escondo por trás de um corpo que me parece... eu?
Será?
Será que posso contar verdades para esconder uma mentira?
Será?
Será que terei tua mão em toque incerto?
Será?
Será que terei resposta pura numa lingua traiçoeira?
Será?
Será que me entendo em reparo dos meus sentidos?
Será?
Será que me ouves ao ouvido que grito por ti?
Será?
Será que sentes a minha refeição de mente em teu perfume de encanto?
Será?
Será possivel que para onde olho te vejo num canto?
Será?
Será que te posso beijar de olhos vendados amargurados ao passado?
Será?
Será que me posso despedir de ti sem te dizer adeus?
Será?

Quinta-feira, Outubro 05, 2006

...pintada na tela mais velha...



Desenho em cartão
Teu corpo deslumbrante
Tuas formas são o meu carvão
Que manejo suave e deslizante
Minha tela emana luz do teu olhar
Desejo de te sentir
Onde te pinto no meu altar
Onde te vejo a sorrir
Espero por ti aqui
Entre linhas do teu ser
Suavemente entras em mim
Entras na minha linha de prazer
Sugo-te para o papel
Acaricio-te a alma
Imagino-te mel
O doce que me acalma
Deixo-te sentir
Faço-me sentir
Deixo-me despir
Faço-te te vir...
Ao meu encontro
Ao teu encontro
À hora em ponto
A um novo conto
Não serei só palavras
Não serei só o teu medo
Serei o desenho de todas as máguas
Que no amor chegam cedo...

(Hoje apeteceu-me "pintar" assim...Não me apeteceu escrever e pensar no que estava a escrever...Simplesmente me apeteceu escrever o que me vinha à cabeça, mesmo como eu gosto de escrever...O que me vem à cabeça!
Hoje foi assim... Amanhã e depois será igual...
Peço desculpa a todos/as que me lêem por qualquer coisa que vos "toque" ou por não vos "tocar"...Não é essa a minha intensão...Faço-o por prazer...
Quero deixar bem claro que não sou louco, mas sim alguem que é muito pouco neste mundo...
Obrigado a todos/as!
Amo-vos como sempre!)

Quarta-feira, Setembro 27, 2006

Dá-me...Teu fogo é vento de desejo que sopra forte em mim...



Tenho sede...
Dá-me de beber...
Tenho fome...
Dá-me de comer...
Dá-me luz e vinho quente
Dá-me uma dança de lingerie transparente
Dá-me a tua boca
Dá-me o teu sorriso
Dá-me o teu espasmo de forma louca
Dá-me abrigo
Dá-me o teu suor
Dá-me o teu calor
Dá-me tudo o que preciso
Dá-me o som do teu sussurro
Dá-me a tua pele para me aquecer
Dá-me tudo como se eu fosse muito...
Nada, que faz doer!
Dá-me o teu corpo a arder
Dá-me o teu sopro baixinho
Dá-me arranhões entre lábios
Dá-me orientação entre sábios
Dá-me carinho
Dá-me ternura e paixão
Dá-me fábulas e contos românticos
Dá-me a força da canção
Dá-me a tua mão
Dá-me o brilho de todos os cânticos
Dá-me sombra
Faz-me sombra
Dá-me olhares de lua
Dá-me beijos de arromba
Dá-me pele nua
Dá-me pele tua
Dá-me pele que amua
Dá-me pele na rua
Dá-me...
Dás?

Sexta-feira, Setembro 22, 2006

Uma viajem à lua...Uma sombra minha e tua...



Brilho doce que me vigia

No canto do olho que tanto chorou

Tuas formas cheiram a maresia

Minha voz em ti calou

Soprei ventos de norte

A teus cabelos esvoaçantes

Em tua personalidade forte

Em trilhos de pessoas distantes

Escuto silêncios escondidos

Numa dança de esfolhagem

Navegamos sonhos perdidos

Numa paixão de miragem

Bloqueio gritos amargurados

Respirando luz de tua pele

Olho-te de olhos esbugalhados

Provo-te... como mel

Saboreias comigo a saudade

De um isco apetecido

Um chamariz de verdade

Que nos segredamos ao ouvido

Perdemo-nos no tempo do sentir

Despidos do mundo que nos rodeia

Sentimos nossos corpos a reagir

Avistamos o prazer à boleia

Domingo, Setembro 17, 2006

Shiuuuu...Sussurra-me o momento...



Shiuuuu...
Ouves?
Sentes?
É o meu coração a palpitar por ti
É o meu desejo que não tem fim
És tu!
Tu!Só mesmo tu!
A flôr dos meus sonhos coloridos
A razão dos meus gemidos
O segredo do meu viver
A fonte do meu prazer
Fazes as delicias das minhas caricias pessoais
Fazes no meu corpo danças banais
Sinto a tua respiração perto do meu ventre
Sinto a tua boca de lingua ardente
Shiuuuu...
Não fales...
Sussurra-me!
Sente-me e deixa sentir
O momento faz parte do nosso existir
Shiuuuu...
Sente-me...
Deixa sentir...
Shiuuuu...
Eu sinto-te...
Sentes-me?
Diz-me baixinho...
Sussurra-me no ninho
Neste ninho
No nosso ninho...

Quinta-feira, Setembro 14, 2006

Deixa-me chamar-te de Bela para eu me sentir o Monstro!


Subo uma cadeira
Quero tocar no céu
Tento uma manhã inteira
Agarrar-me ao teu véu
Suspiro desejos nossos
Por momentos voltei a existir
Sinto-te a morderes-me os ossos
Imagino-te a sorrir
Olho em meu redor
Imagino-te ao meu lado
Sinto de perto o teu calor
Imagino-me a ser abraçado
Desejos que pedi às estrelas
Pendurei no tecto do meu quarto
Para quando quiser, poder movê-las
Cola-las no teu retrato
Deito-me na solidão do meu cantinho
Invádido de brilho no meu olhar
Procuro a tua travessia no meu caminho
Encontro-te sozinha ao luar
Porque me lês e visitas na solidão?
Estou e estarei sempre aqui presente na escrita
Estou e estarei sempre a acompanhar a tua mão
Sim!Sou eu esse invisivel parazita...


Foste, és e serás a bela que me lê
E eu o monstro que te escreve
A luz que a minha alma não vê
A razão de me sentir mais leve

Sexta-feira, Setembro 08, 2006

Adorei o jantar...Amanhã em minha casa?



Posso entrar?
Com licença...
Como é lindo o teu interior
Como me seduz tamanha beleza
Vou tirar o casaco...Está calor!
Muito bonita!Com toda a franqueza
Respira-se puro aqui
Tens uma forma acolhedora
Recebes visitas de mim
Digno de uma verdadeira senhora
Perguntas-me o que bebo
Quando bebo do teu olhar
A tua sede é segredo
Convidas-me para jantar...
Aceito o teu convite
Dizes que tu mesma o preparas
Um sorriso de que algo existe
Um sorriso de duas caras
Encaixamo-nos no clima
Enquanto saboreamos o momento
A fervura salta ao de cima
E ao de cima surge o sentimento
Saboreamos a sobremesa
Apimentando mais o desejo
Gelado quente para a sua Alteza
Deusa que tuas formas beijo
Lambes o doce devagarinho
Enquanto te entregas amavelmente
Tu própria indicas o caminho
De um dom de cozinheira ardente
Desperta o prazer de sensações
De uma agradável noite momentânea
Acalmam-se dois corações
Num jantar de comida instantânea

Segunda-feira, Setembro 04, 2006

Para ti...



Soprei máguas em tempo deserto
Cansei de olhar sem nada ver
Penso em ti como se estivesses tão perto
Mas desse lado não dá para perceber
Não existe o toque nem o sorriso real
Tu estás aí e eu aqui deste lado
Nem sequer te conheço mas não me leves a mal
A tua sensualidade deixa-me assim... apaixonado
Sim...É para ti que escrevo
Desculpa se não gostares
Eu sei que este papel não tem relevo
Mas é uma forma de te aproximares
Consigo imaginar o teu rosto na leitura
Envolvida no silêncio da minha tela
Respiras a minha vontade que perdura
E eu imagino-te da forma mais bela
Como és rápida a ler poesia!
Preferia que a sentisses lentamente
Mas não te posso pedir isso todo o dia
Posso sim pedir-te um "comment"
Não te vás já embora
Tenho tanto para te dizer
Para ficares o meu coração implora
As tuas visitas são sempre um prazer

(Não!Não penses que é para outro alguém...Sim...É mesmo para ti!)

Quarta-feira, Agosto 30, 2006

Exame de condução...Guias-me?



Respiro-te ao ouvido
Um desejo voraz
Onde me guias num só sentido
Onde te revelas audaz
Sussurro-te o que sinto no momento
Onde me prendes em teus braços
Revelo-te o que me vai cá dentro
Enquanto contorno teus traços
O momento consome-me de exitação
E o delirio corre-me nas veias
Alteram-se os batimentos do coração
Perdem-se e ganham-se ideias
Balanço o corpo suavemente
Encontras-te em mim
Agarro-te e seguro-te consciente
Que o momento está longe do fim...

(A noite é nossa...O dia pertence-nos...Podemos beber dos nossos sentidos e conduzir?Trocamos o alcool por momentos...)

Segunda-feira, Agosto 21, 2006

Um mergulho no jogo da dança



Escutas-me em grutas de uma água cristalina

Onde piso conchas de um sonho aberto

Onde respiro cores de uma mulher divina

Onde te percorro em tempo deserto

Passeio contigo por entre mares de lua

Dispersa no ar bolhas de desejo

Enrrosca-se pedaços de pele crua

Num mundo que só eu vejo

Sozinhos na tela pintamos paixão

Resguardados no momento que nos pertence

Usamos óleo ou mesmo carvão

E só o desejo nos vence

Escutamos no silêncio sons de toque

Tatuando marcas de dois corpos colados

Esgotamos na noite um pouco do "stock"

Ficamos presos em momentos suádos

Abraçados em carnes possuídas

Desfrutamos do que a noite nos proporcionou

No momento vivemos vidas

No momento levantamos vôo

Permites-me a honra de mais uma dança?

Só quero mergulhar contigo na profundidade do momento...

(desejo)

Sexta-feira, Agosto 11, 2006

Um olhar que me faz bem...




Implora-me um olhar
Uma vontade de voltar a nascer
Uma certeza de um choro espremido
Uma expressão de tristeza a correr

Deita-me a mão em pele suave
Entre cheiros de criança
Pestaneja segredos de alma
Em tempos de esperança

Uma certeza de que tudo existe
Um choro que chama a razão
Uma pérola que se transforma em sonhos
Um olhar que não passa em vão

Assim poderei sempre chorar...
A criança invade-me a mente
Vejo nela o seu olhar
A vontade de brincar novamente

Sinto-lhe o rosto amanteigado
Sinto o doce que nos amarga
Brilha sombras de saudade
De um olhar que não me larga

Deixa-me chorar contigo na rebentação de uma qualquer dor que nos banhe...

Quarta-feira, Julho 26, 2006

Huuummmm... Um brinde à nossa...



Huuummmm...
Encontro-me sozinho
Não...
Não me encontro sozinho...
Estás na minha mente
A tua sensualidade está na minha mente
Voo-o com direcção a um só caminho
O meu caminho
O teu caminho
O nosso caminho
E o meu corpo reage inconsciente
Não!
Ciente...
Não!
Consciente...
À tua...
À tua sensualidade
Por beleza...
À nossa...
Desço corpo abaixo
Devagarinho...
Como se de uma pena se tratasse
Chego ao varão mágico
Encaixo...
O movimento supera todos os sentidos
De mim saem grunhidos
Saem gemidos
Altera-se os movimentos por momentos
Serás tu?
És! Naquele momento tens de ser tu!
Eu não estou sozinho...
De olhos fechados...
Sinto os teus lábios
Sinto o teu corpo
Imagino cheiros
O momento é real
Eu sinto...
O coração altera-se
Bate mais forte
Tira e mete capote
E tu estás comigo
Eu sinto-te...
Estou-te a sentir...
Na hora da exaustão
Rebenta a chama do meu vulcão
Lanço um gemido
Uma satisfação
Um suspiro
Um momento...
Um momento alto
Mas quando abro os olhos...
Tu não estavas...
Tu já não estavas!
Estou sozinho novamente
Fecho os olhos...
Não estou exausto
Mas gostava de estar exausto
Aperto-me...
E tu voltaste ao meu olhar
Em vulto...
Vou dormir contigo
Eu sei que vais dormir comigo
E bem apertado
Repouso contigo a meu lado
Sinto-me só um pouco mais leve
Com aquela sensação agradável
Não totalmente satisfatória
Queria a tua carne
Tive só o sonho
Queria o poder do teu toque
Mas só obtive o meu
Na realidade foi um momento
Eternamente dedicado a ti
À tua sensualidade...
Ao meu desejo...
À nossa fantasia...

Segunda-feira, Julho 24, 2006

Sussurros interiores num grito baixinho



Toco-te na solidão do meu cantinho
Tento aliviar toda a raiva que me tenta dominar
Sinto-me mais calmo quando sozinho
Perco o medo de proclamar
Faço da vida uns recortes por montar
De uma imagem repartida
Um sonho que não posso sonhar
Um olhar de uma vida
Tento agarrar-te com cor
Delinear-te no meu pensamento
Apagar em mim toda a dor
E tentar aproveitar o momento
Estimulo a dor presente
Arrefecendo os ânimos em conversa
Onde o som é estridente
E a noite anda à pressa
Seguro-te ao meu olhar
Cansádo de não te ver
Mais uma vez cansádo de respirar
Estúpido e a elouquecer
Fugi da diversão
Corri contra a vida
Sempre com dor no coração
Alma de uma razão perdida
Respiro num tom agudo
À espera que me beijes os olhos cansádos
À espera que me sussures algo que me deixe surdo
Escondido por trás dos cortinados
Sento o medo ao meu lado
E com o medo desabafo a dor
Seguro o cabelo pra não fugir o penteádo
E juntos bebemos sem medo palavras de amor

Sexta-feira, Julho 14, 2006

Ter-te no meu lugar...



Resultados crús
Corpos nús em vias de extinção
O ódio que se transforma em paixão
O amor que quebra o coração
A dor provocada por uma canção de embalar
Com ela adormeço
Com ela vou sonhar
Com ela vou acordar
Sei lá...!
Só com ela estou como queria estar
Divertido
Entrando na minha mente com sentido
Diferente
Mas que me sôa bem ao ouvido
O ruído enrraivecido através do suór
Do cheiro
Do calor
Do amor
De tudo aquilo que me revolta
Ando aí à solta
O que é que mais podia ter?
Consegui te conhecer
Consegui me apaixonar
Não te consegui esquecer
E ainda consigo te amar
Agora só me falta te ter no meu lugar

Quarta-feira, Julho 12, 2006

Promete-me surpresas!



Jurei que te via
Nua na minha mente
Flor que luzia
Me apagas rapidamente
Em forma de obra de arte
Estendida no estendal
Uma vida à parte
De partir o essencial
Juro!Eu juro que te via
E mais nada sentia
Eu juro que via
Tudo o que luzia
Apaga-me o cigarro aceso
Nas curvas mais apertadas
Eu jurei que te via
E tu não juraste nada
Lanço-te palavras
Em formas de amor
Ofereço-te rosas
Só com sabor
Promete-me surpresas!

Sábado, Julho 01, 2006

Águas



Águas que enchem
Vazam correntes em terra
Brilham e espelham sortidos de alma
Choques de temperatura em guerra
Alimentos que se caça
Sal que se coça
Doçura que me banha
Águas de poça
Cheiros cansádos de mar
Amar de tanto doer
Sonhos que ajudam a respirar
Águas que não param de correr
Bermas de lama
Um sol escondido em sombras
Ondulações estendidas em vão
Águas que me escorrem pela mão
Águas que me banham o rosto
Lágrimas que se lançam ao rio
Mergulhos limpos de sede
Águas quentes que me deixam frio

Sábado, Junho 24, 2006

Sinto o que sentes com vontade de repetir...



Numa frase estonteante
Divulgo a minha sede na tua
Num momento brilhante
Dispo-me na lua
Entrelaço-me no teu corpo
Como fio que se emaranha
Como se o espaço fosse pouco
Onde a tua mão me arranha
Trinco a carne fresca que carregas
Com delicadeza e ternura
Abro alas no caminho que me levas
Preso na cela mais escura
Batalho num só sentido
Possuido por sons carnais
Segredando-te ao ouvido
Movimentos doceis e sensuais
Sussurro-te o que me vai na mente
E tudo o que sinto deixo explodir
Sensação conhecida mas sempre diferente
Com o prazer de voltar a repetir...

Terça-feira, Junho 20, 2006

Longe...



Longe de tudo
Longe de todos
Cabe em mim a solidão
De um sonho esquecido no asfalto
Longe do espaço
Longe da terra
Perto do mar
Dentro da guerra
Longe de mim
Longe dos meus sentidos
Vagueando no deserto da vida
Tropeçando nos buracos mais profundos
Longe de ser eu
Longe de ser quem fui
Vivendo devaneios vassaladores de dor
Escutando um amor sem cor
Longe do regresso
Longe de estar perto
Disperso de toda a felicidade
Cansado do que dizer em saudade
Longe do sol
Longe do céu
Grito para aliviar as penas
Sacudo as asas para bem longe
Longe...
Muito longe...
Apetece-me...
Longe...

Sábado, Junho 17, 2006

Se eu tentar a olhar...



Se eu tentar olhar
Sem sequer te imaginar
Posso tentar pensar
Naquilo que reflecte o meu olhar
Se eu tentar perceber
Sem sequer chegar a querer
Fico sentado a ver
Incrédulo ao prazer
Se eu tentar falar
Sem querer...vou-me magoar
Posso até não me calar
Posso não te fazer escutar
Se eu tentar dormir
Deitado é mais dificil cair
Em teus braços tentar sorrir
Um sonho a mais antes de partir
E se eu voltar a parar
Não me importa o que vão comentar
A formula para me fazer cansar
O sol que não me deixa brilhar
Se eu tentar a olhar...
E se eu tentar a olhar?

Segunda-feira, Junho 12, 2006

Amar tão diferente



Segura-me na mão
Cai no meu sonho
Abre o teu coração
Agarra o momento risonho
Trava-te de razões comigo
Leva a tua avante
Tens sempre o meu ombro amigo
Estejas perto ou distante
Abraça o meu olhar
Fixando-o levemente
Deixa-me levantar
A vontáde sorridente
Revela-me o teu sonho antigo
Cansádo de tão relembrado
Não me vejas como um perigo(ou inimigo)
Mas sim, alguém ao teu lado
Brilha de sede amiga
Em tempo de seca d`água
Manda-me fazer só algo que eu consiga
Não me mandes ficar com mágua
Com mágua fico sempre sem querer
Sentindo...
Assistindo...
E ouvindo aquilo que me incomoda
Por favor...
Não deixes isso me acontecer
Não quero a minha alma com uma nódoa
Eu sei qual é o teu objectivo
Zélo por ele e por nós
Não te quero tratar por um adjectivo
Quero sim ao nosso amor dar voz
Lava a tua mente
Com sabão de tranquilidade
A nossa situação é quente
São circunstâncias de igualdade
Respeita o que te diz a vida
Apimentando a tua vontáde
Nunca digas que não temos saída
Não podemos é sentir saudade
Por isso estamos tão bem
Únidos fortemente...
Igual não há ninguém
A amar tão diferente

Sexta-feira, Junho 09, 2006

Olho...



Olho as estrelas
Olho a noite cintilante
Olho o céu
Olho uma recordação distante
Olho o infinito
Olho o negro envolvente
Olho a lua
Olho o meu amor carente
Olho o sonho
Olho a vontade
Olho para tentar te ver
Olho para matar saudade
Olho e espero
Como espero o teu olhar
Olho sem ver
Olho ao luar
Cansádo de não te ver
Desesperado com o meu olhar
Olho para me despedir
Olho para me ir deitar
Olho e...
Amanhã espero voltar a olhar
Olho o medo de sentir
Olho o perigo de acordar
Olho...

Domingo, Junho 04, 2006

Vela



Quando fores a luz do meu candeeiro
Pintar-te-ei no meu altar
Tentarei descobrir o nome
Da sombra que me quer assustar
Vou esculpir as minhas garras pintadas
No seio da verdade
Ouvir frases inacabadas
Da ferida que com álcool arde
Penso no calor do gelo
Que me queima como a água
Na coruja sem pêlo
Que sozinha afoga a mágua
Tentei ver-te luzir para mim
De uma forma pura e um ar sério
No que toca a uma historia sem fim
Do renascer de um novo império
Lambe-me o rosto de uma forma ternurenta
Tu consegues fingir-te frígida
Chupa-me o sangue da veia cinzenta
Morde-me a ordem fingida
Tens uma forma bruta de entrares em mim
suculenta e apropriada no momento
Eu amo a tua carne assim
Onde se enquadra o meu sentimento

Terça-feira, Maio 30, 2006

Apresentação...

Informo todos os que quiserem comparecer no dia 4 de Junho de 2006 pelas 21h30m em Óbidos no bar "O Lagar da Mouraria", terão a oportunidade de adquirir o livro "Flores Negras em Forma de Rosas" acompanhado com uma surpresa, pois será nesse dia, a sua apresentação.Quem por motivos pessoais ou outros não puder comparecer, informo desde já que poderá adquirir o livro através deste blog ou e-mail, pois, o mesmo já se encontra disponivel para venda.
Obrigado a todos!

Domingo, Maio 28, 2006

Dá-me a tua mão


Dá-me a tua mão
O prazer do toque suáve
O desejo de uma canção
Uma vontade que me inváde
Um dedo que me mande calar
Uma unha que me arranhe

Dá-me a tua mão
Num gesto de ternura
Com raiva no coração
De uma alma que parece pura
Um momento que se exalta
Uma voz que sussurra baixinho
Uma pétala que se soltar faz falta
Como uma palha no ninho

Dá-me a tua mão
Cansada de tanto sofrer
Não me digas que não
Não deixes este amor morrer
Não me peças para brilhar
Pois não passo de um apagado
Como fogo que não consegue atear
Como vidro que foi sempre espelhado

Dá-me a tua mão
Segura na minha com dor

Dá-me a tua mão
Dá-me o teu amor

Quarta-feira, Maio 24, 2006

Parte em busca de mim



Respira fundo
Agarra-me na mão
Grita agudo
Ouve-me o coração
Mastiga as palavras que eu te dou
Saboreia o segredo daquilo que eu sou
Entra pela porta que eu abri para ti
Escuta a vontade daquilo que eu vi
Abre o sonho da real saudade
Descobre o caminho do labirinto da verdade
Parte em busca de mim
Agarra-te a um pedaço de mim
Segura-te como pena solta em mim
Parte em busca de mim

Domingo, Maio 21, 2006

Bailado de amor



Eu posso até ser como sou
Sem saber o caminho para onde vou
Eu sei que respiro impurezas
Amaldiçoadas em muitas certezas
Eu vivo mesmo sem saber
Sem ter vontade,ânimo p`ra viver
E preciso de alguem a ouvir
A saber ler antes de eu partir
Respondo a todas as tuas vontades
Desejos e formas sem ter saudades
Eu grito até me ouvires dizer
Amor é só um mito que nos ajuda a viver
Eu esqueço o sol que me ilumina
O lenço com perfume que me fascina
Mente num tôm diferente
Vou tentar não te pisar muito à frente
Ouço um éco no fundo do corredor
Quando grito e chamo pela palavra amor
Sente-se forte a tua respiração
Ouve-se alto o bater do meu coração

Domingo, Maio 14, 2006

Na sombra do momento



Sentas-te na cama
Banhada a lama
Onde a vergonha te consome
Onde sou atacado com fome
Onde te inspiro certezas
Me prometes princesas
As águas que te prendem
Os sonhos que te vendem
Só a razão te isola
Em frases que não cola
Espelhas raiva no teu olhar
Respiro até me cansar
Ouve-me p`ra te ver sorrir
Isola-me do teu existir
Provoca-me ansiedade
Com perigo de saudade
Revela-te a minha fonte
Inspiração do horizonte
Onde te calas p`ra mim
Onde te vejo em momentos sem fim...

Terça-feira, Maio 09, 2006

Flores Negras em Forma de Rosas!


Finalmente o nosso livro foi editado!

Brevemente postarei a data e local de lançamento.
Contamos com a vossa presença!
Se algum de vocês estiver interessado em adquirir um, mandem-nos um mail para entrarmos em contacto.
Aqui fica um dos poemas:

GNUME, o homem cansado

Uma corrente de ar frio
Ressoa-me no ouvido
Num espaço vazio
Pressionando-me a líbido
Bebo vinho quente
Como se fosse chá de centeio
Em forma de algo ardente
Com soja pelo meio
Aviso a glória
Com vitórias perdidas
Conta-me histórias
Morde-me as feridas
Veste-me de veludo
No soalho da vida
Finjo-me surdo
Um verniz em despedida
Uma gola levantada
De fecho éclair aberto
Agora não, obrigada
Não ia dar certo
Imprimo alcatrão doce
Em folhas de alface
Faço tudo como se nada fosse
Tudo no mesmo impasse
Ouço-te rosnar
Nas noites de lua cheia
Tentas-me assustar
Mas não fazes ideia
Como eu sou imprevisivel
Um perigo de inocência
Acne de voz sensível
Amor de continência
Lembras-te o que dizia o vinho?
Vinte e um graus de volume
Yá, na boa! Eu alinho!
Um pouco de ciúme
Um brilho no escuro
Num festim de calma e ansiedade
Trepando o muro...
O muro da verdade
Sinto-me feliz
Só e abandonado
Banhado de verniz
E à sombra queimado
Não estou de passagem
Vim p’ra ficar plantado
Raíz ou calo de aterragem
Neste sonho acordado...


Ficamos à espera das vossas encomendas :)

Sexta-feira, Maio 05, 2006

Serão enganos?!


Algo maravilhoso invadiu o meu olhar
Deixando-me espantado...
Curioso...
Com uma enorme vontade de escutar
Uma...
Duas...
Ou quantas mais vezes for preciso!
Frases cruas ferindo-me os ouvidos
Mexendo com a minha vida
Alterando-me os planos
Alma sentida...
Serão enganos?!

Sábado, Abril 29, 2006

Amor em calva


Contorno as tuas formas deslumbrantes
Com o meu olhar de doce de amora
Atira-me frases estonteantes
Sangra a tua dor cá p`ra fora
Trago a lua a cólo aberto
E as estrelas no meu peito
Os meus olhos de ti tão perto
E os teus lábios num tôm perfeito
Respiro a brisa do teu sopro
Como se estivesse à beira mar
A esperança por tudo o que sofro
E como sofro por te amar...

Assinádo: ...


Sempre situado na lua
Amor e fome no vento que amua
Sempre situado ao luar
Sempre aceso antes de apagar
Rasgando tecidos à sorte
Aliviando as dores de um corte
Amando o ódio virtual
Numa manhã ancestral
Respirando com medo de respirar
Num surdo ouvido de escutar
Ouvindo sem sentir
Partindo sem partir
De longe em longe com lembranças
Casas e casos de andanças
Marés de sonhos e esperança
Amor e ternura não cansa
Assinádo: ...
Por uma criança!!!

Sexta-feira, Abril 28, 2006

Vamo-nos espezinhar?

Crava o meu espinho
No teu ventre viçoso
Numa forma de carinho
Num estômago guloso
Tira-me os atacadores
E enfeita o teu cabelo
Não quero alimentar as tuas dores
Nem que me acuses de falta de zelo
Penteádos à parte...
A beleza permanece
Um desejo de bela arte
Num frio que aquece...
Sopra-me tempestádes de armonia
Ventos de ilusão
Sopros de agonia
Facádas no coração
Canta-me ao luar
À iluminação das estrelas cintilantes
Deixa-me respirar
Sonhos abertos e distantes
Dores de estômago à parte...
Resourando-me os ouvidos
Ressentimentos de um disparate
Dos nossos olhares repartidos
Estribeiras de encantos
Como ratos de esgoto
Cansádos somos tantos...
De um amor que sabe a pouco!

Terça-feira, Abril 25, 2006

Morrer de amores


Entre sombras de amor
Escolheste-me p`ra amar
P`ra sofrer com dor
Não me conseguir encontrar
Embrulhaste-me no teu papel de cetim
Com um laço de seda amarela
Procuro me situar em mim
Nesta tela pintáda a aguarela
Sorri-o de lábios perdidos
Entre olhares ao ódio esquecido
Palavras disparadas em todos os sentidos
Um amor que há muito foi vencido
Separo-me do medo trajádo
Viajo por entre ruinas de paixão
Veludo de azul pintádo
Bafejádo no meu coração
Gravo o teu nome no peito
E sofro com a dor
Apetece-me mesmo sem jeito
Alterando um pouco a minha cor
Separo o corpo da mente
Só p`ra te ouvir cantar
O canto de serpente
Só p`ra hipnotizar
Vivo na pressão da sorte
De momentos de solidão
De demónios e morte
De tombos p`ró chão...


(No respirar do sentimento...)

Domingo, Abril 23, 2006

Vou tentar!



Na grossa rama do pecado
Vejo florir asneiras
No seio do mau olhado
Cravádo em espinhos de roseiras

Procuro a espada do futuro
Para lutar contra os invenciveis
Respirar um pouco de ar puro
E subir a outros niveis
Tento um pouco de oxigénio
Para respirar sem dor

Tento ouvir o génio
Que não fala de amor
É o preço da verdade
Que me faz falar tão alto
É o sonho da realidade
Que me deixa estendido no asfalto

Agora vou tentar ser...
O perigo dos acontecimentos
Vou tentar ouvir e vêr
O que dizem os meus sentimentos

Sexta-feira, Abril 21, 2006

Como...


Como eu gostava...como eu queria...
Como eu estava...mas como não te via...sentia!
Como adorava...como detestava que não quizesses...
Como pensava que não pudesses...
Como eu ficava feliz...
Como eu te olhava...como se diz...como é que eu consigo ser...como mais que teu amigo?
Como amava ter-te em meu poder e ficares p`ra sempre comigo...
Como...
Como?

Segunda-feira, Abril 17, 2006

A carta...


Foi na minha pequena,quadrada,mas acolhedora sala que eu recordei os momentos de ternura que passámos,os gemidos,o suor e os corações acelarados dos nossos corpos,as conversas com e sem nexo que tivemos juntos sempre rodeádos por umas nuvens de fumo de cigarros que nos atormentavam as conversas e que nos deixavam com os olhos a arder...É nesse meu canto que eu tenho recordado a tua pele maçia,o perfume que o teu ser carrega,as canções que cantámos,as vezes que nos tocámos,as discussões que tivémos,tal como as vezes que fizémos as pazes,que nos humilhámos um ao outro e que fizémos amor...Lembras-te??
Nunca houve felicidade no teu rosto tépido,nublado,adormecido...Invádidos pelo fumo dos cigarros(que eram uns atrás dos outros),brincámos,tossimos e desvendámos alguns segredos(muito poucos da tua parte)...Mas olha...como a minha sala está mais vazia,pronta a desafios cor de rosa mas sem espinhos e sem escrúpulos,sem "tretas" e falsidades,só e simplesmente com perfume...
Lembro-me mal das notas que tocava para te ouvir cantar,mas lembro-me como me encantavas e sussurravas naqueles dias em que só estavas assim de três em três meses...como era raro receber mimos,carinhos e um bocadinho de amor vindo de ti!Como era raro...Fazias-me esquecer esses dias...
Como foram tantas as vezes que me deixas-te a chorar sem um ombro para me apoiar e como também foram tantas as vezes que me deixavas a fazer-me companhia a mim mesmo e que me abandonaste naquelas horas em que eu precisava mais de ti!Lembras-te??
Eu tenho estado a lembrar-me das vezes em que desabafavas comigo(na realidade,só me lembro de duas ou três e todas por causa dos teus pais!)Como isso era rarissimo!!!
Suspirámos e respirámos muitas tóxinas do clima fumarádo que se encontrava sempre presente nesta minha "salinha"...a paisagem aquática,o som roqueiro e esganiçádo da minha guitarra misturádo com o som da minha aparelhagem e dos filmes,sim,dos filmes,a minha sala também me serve(e nos serviu)de cinema,até os ruídos da nossa..."pornografia"...Lembras-te??
A casa de banho improvisada,a cama que não é cama,o sofá que não é sofá,mas sim,algo às vezes confortável,outras vezes desconfortável,o cobertor que nos abrigou do frio(algumas vezes),as almofadas pouco confortáveis mas úteis e a desarrumação no geral...
Naquilo que eu me havia de lembrar...A desarrumação é sim o presente e talvez até o futuro!É a vida!Tem a ver conosco!Sim também com as nossas ideias e as nossas cabeças...Como eu me lembro de como a tua cabeça era(e talvez ainda seja)desarrumada!Como só o teu perfume abafava o cheiro impestivo a tabaco daquele espaço,lembras-te??
Acho que não!
Acho que na realidade só eu notava isso...
Recordo quando nas tardes de domingo eu te tocava(às vezes com sucesso)e entrava dentro de ti sentindo o teu calor,o teu corpo deixava-me em êxtase,embriagado...como era bom tirar-te a roupa peça a peça,acariciar-te da ponta dos cabelos à ponta dos pés,beijar-te...Lembras-te?? Como só gostaste sempre de ti...
Eu lembro-me e tu????

Domingo, Abril 16, 2006

Laços

Banhos de imersão
Imergidos no horizonte
Um olhar de ilusão
Um mergulho na fonte
Na fonte da vida
Onde me perco no horizonte
Onde procuro uma saída
Perdido no monte
Tento encontrar paz
Tento andar p`ra frente
Sinto-me a andar p`ra tráz
Na pele de serpente
Agredido por sentimentos cruéis
Enfrento a minha própria dôr
Sinto-me a andar p`ra aqui aos papeis
Dentro deste circulo de amor
Leio no teu olhar
Mensagens escritas em Árabe
Sonhos ao luar
Desejos que ninguém sábe
Segura-me na mão
Debruça-te nos meus braços
Abre o teu coração
Enquanto deslizo nos teus traços
Consome a minha entrega
Planta-me no teu vaso
Como flôr que sem água péga
Plantáda em prato rázo!

Sábado, Abril 15, 2006

...Brevemente...

..................................

...bombons de cólicas repentinas
...presentes amarrotádos ao acaso
...cabelos envoltos em serpentinas
...gritos de silêncio em atraso
...bocas feias e pintádas
...entre olhares de raiva suja
...pessoas livres e pisádas
...alguém com asas de coruja
...geládos de blôr
...sopas de azeite queimádo
...passos com dôr
...cansádo ou deitádo?
...frases eróticas menstruádas
...perturbando a mente
...uma respiração de pessoas usádas
...tudo...brevemente!!!!

Sexta-feira, Abril 14, 2006

Um ardor de natureza



















Ardem roseiras
Queimam-se princesas
Intensificam-se olheiras
Entre velas acesas
Rosas flutuantes
No duche de espuma
Olhares distantes
No que arde e fuma
Jardins estragados
Cantando ao efermo
Canteiros pisádos
Tudo a meio termo
Olhos a arder
Bocas descaídas
Mãos a tremer
Lágrimas perdidas
Imagens destorcidas
Beatas grotescas
Águas fervidas
Chá de bestas
Actos de loucura
Preços elevádos
Fome pura
Tecidos rasgádos...

Georgica Zaranza

Em apuros confesso-me delator
De toda uma sorte coerente
De todo um medo com dôr
De todo um todo ardente
Nunca consegui ser suficientemente demagógico
Deixo-me sempre oxidar no passado
Não consigo pensar no que é lógico
Não consigo escrever em privádo
Quero o céu e dão-me a terra
Quero a terra e dão-me o céu
Quero silêncio e alguem bérra
E se ninguém bérra,bérro eu!
Não consigo conversar com o arrependimento
Desiludo a vontáde de querer
Fujo da verdade escondida no tempo
Putrefacta fica a voz a envelhecer
Encontra-se em mim um sortido de sentimentos
Uma revolta sorridente
Um chorar de acontecimentos
Um uívo estridente
São sombras que me seguem p`ra todo o lado
São rastos escritos a carvão
São sábios que me deixam apalermádo
Uma cegueira no coração
Bebo sangue de um púcaro em quarentena
Com asa de um anjo protector
Faço da vida o que a vontáde me ordena
Faço de um sonho o reino de um imperador

DETONAÇÃO

Abre fogo sob a minha crueldade
Dispara-me granadas ou tiros de pistola
Revela-me o dôm de um ser sem idade
Absorve a mentira que comigo não cola
Chora como uma tempestade de Inverno
Lamenta-te como se eu tivesse frio
Deixa os teus olhos arderem tal e qual o inferno
Eu ajudo-te as lagrimas correrem p`ró rio
Enerva-te como raios de trovoada
Mata-me ou casa-me cedo
Corre atrás da tua alma cansáda
Descobre a virtude de perderes o medo
Age como uma máquina de dôr
Grita como um lobo em lua cheia
Foge de mim que sou predador
Actor de amor procurando ceia
Rosna alto como um felino esfomeádo
Como cobra que rasteja a meus pés
Com vontade de me veres deitado
O teu tiro passou-me "résvés"
Luta com unhas e dentes afiados
Arranca-me os pelos das nádegas descaídas
Entra no templo dos desorientádos
Sofre à vontáde sem meias medidas
Agarra na tesoura e corta-me as pestanas
Esfrega-me a berguilha com pó de talco
Faz-me sinais abrindo e fechando as precianas
Lança-me como peça para cima de um palco
Não há tempo p`ra desabafares o teu chôro despreocupado
Nem a vontáde de viveres em vão
Não há sonho que permaneça ousádo
Nem segredos que não tenham razão...

Será possivel?

Cada vez que respiro fundo sinto-me como se estivesse com um aspirador a aspirar-me por dentro?Mas os podres permanecem!?

Às vezes penso só p`ra mim:
-Vou beber água p`ra ver se me purifico por dentro...E no fim tenho a sensação que estou a morrer envenenado!?

Já comi gelo,já me empaturrei de sal e mesmo assim não me consigo conservar,pá!

Aqui à tempo tive 2h. debaixo do chuveiro p`ra tentar lavar a mente,pois o único resultado que obtive foi aquele que eu menos queria...Pois então não foi que quando me olhei ao espelho,tinha o cabelo todo achatado?!Durante 3 meses fiquei sem conseguir fazer o meu penteado habitual!Tive de usar uns dias boné,outros chapéu...!

Depois tentei lavar o meu coração com sabão azul e branco,quando dei por mim `tava já todo riscado!?Quem me mandou a mim usar um esfregão de palha de áço?!?!

Agora sinto-me no dever de pedir opiniões a terceiros antes de fazer algo!
Será que me consigo cansar menos e correr mais se deixar de beber 7up`s e meter-me na s/ chumbo 95?Eu não me importo de pagar mais!

Os cães rosnam e a caravana não se mexe!Incrivel!

O teu ar sedutor
A tua vontade feroz
Faz de mim actor
Num veículo veloz
Fogueiras sem chamas
Olhares ao luar
Corpos a rebolar na lama
Vozes da noite a cantar
Estou?!Só um momento,vou chamar...
Não acredito!Que saudades...
Um amor plantádo à beira mar
Uma historia de vontádes
Um segredo por desvendar
Um provérbio antigo
Uma voz p`ra animar
Um ombro amigo
Parece-me honesto mentir
A verdade é irreal
Nada me apetece ouvir
Sou pecador mas não é por mal
Quem sou eu agora
A viver de tanto sofrimento
A chorar a toda hora
Com dores a todo o momento
Parto sem rumo
Fujo p`ra casa
Entre uma névoa de fumo
E um cigarro em brasa
Escrevo mais uns desabafos
Imagino e conto historias
Mais uns traços,mais uns láços
Mais um enrriquecer de memórias!

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